Arquivo do mês: maio 2012

Pretérito Imperfeito

Acho que no meu berço, havia verso,

Seria meu leite, ou seria meu universo,

Quem sabe o até seria o inverso,

Meu quarto fosse um leito disperso

e escuro, que desse tanto medo,

que procuro, não poesia, mas o dedo.

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Desautoretrato

 

Não tomei conta de que ponto comecei a perceber

o quanto que a vida interfere na expressão da arte.

Talvez, tenha afinado meus relógios muito cedo

para organizar a vida, ao alheamento da realidade.

Tão frívolo, não sei se exponho o que dói no peito,

O que realmente fere. Não me acho tão caridoso,

Para preocupar-me com consternações alheias,

Nem tão pouco para apartar lágrimas sem rosto.

De súbito, deva ser esteticamente algum outro,

Que morde as veias da sensibilidade das palavras,

Que sobrevive ao desespero, que rasga bandeiras,

Que dá o relevo às angustias, e refresco às mágoas.

Pode ser que dentro destas borradas folhas,

Esteja algum eu que seja um homem comum,

Esculpido em farrapos, tímido e amedrontado,

Ou talvez tenha nascido para ser obra de arte.

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Quando escrevo …

Quando escrevo tento pôr a língua em diversão. Escrevo como quem não conhece as palavras. Somos grandes desconhecidos. De inteira incompreensão. Sem pressa, as palavras então, despem-se para mim. Lançam-se tão futeis as minhas mãos que, por fim, não se distingui quem somos.

Tenho algumas palavras grandes, outras pequenas, algumas curtas, outras que de tão miúdas consegue-se ver minha essência. Porém, às vezes me pinto mais que um cisco, mais que um incômodo aos olhos. Apego-me infeliz as incongruências, aos sobejos e as impetuosidades. Mas não caminho diante às dissoluções, prefiro a sensibilidade. Amo o cheiro de poeira livro velho. Tenho nos gestos tão natural o gosto desenxabido pela palavra. Amo-as completamente, por pleno prazer de amar sem motivo. Tiro destas o meu sustento espiritual.

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maio 25, 2012 · 7:53 pm

Da Indústria

(…) Campo Maior é história, passado e sangue. Tem sabor de guerra e suor, pulsa determinação e coragem. Há muito lutou-se pela evolução, pelo avanço civilizatório. Mas, muitos homens tem a ignorância adequada para não sentir falta de progresso em 250 anos de fundação. A cidade anda entravada na produção industrial, inata a evolução da tecnologia. É evidente a necessidade de mais indústrias que venham proporcionar um crescimento econômico e social. Campo Maior clama por desenvolvimento. As peças-chave para a compreensão deste fenômeno retrógado talvez respaldem na velha pugna politica pelo poder. Não existem prédios com apenas um tijolo.

Por enquanto não há grandes industrias em Campo Maior, resta-nos poucos avanços empresariais no ramo da construção civil, agricultura, bem como a industria da moda há instalado algumas fábricas de porte médio na cidade.

Nada mais conveniente, e tão pouco observado a localização campomaiorense, está estrategicamente próxima ao progresso industrial teresinense, e ao escoamento marítimo, ainda que precário, que viria a facilitar o desenvolvimento econômico da cidade. Nos falta ferro, nos falta atenção. (…)

Trecho do Livro Encanto Maior de Pérsio Malaquias (Em Construção)

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Em Tempos de Alvedrio

“A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é o maior elemento da estabilidade”  – Ruy Barbosa

Não há correntes, nem antros,

Nem ataduras de sangue entre barrancos,

Não escorrem lágrimas nos itararés,

Talvez alguns sumiços sem explicação,

Mas, nada que engasgue as marés.

 

Sou pássaro do mato, de costume cantor,

Que desfolha os estardalhaços desafinados.

Não me dão sustento, manduco então o tempo,

Sem sonhos, nem força para as bandeiras.

 

Sou melhor como um pássaro de gaiola,

De pezinhos abusados, e pipilo saudável.

Se me prendem eu voo mais alto.

 

Quero mesmo a fúria da ferida, ter nos suplícios

a indignação necessária para dar voz às palavras.

Talvez seja inocente a saudade, que não tenho,

do gosto de sangue na boca manchar

a terra enxuta onde se lavam as letras.

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Primeira Dose de Café

Bom, primeiro post, e como viciado escritor, um pouco de um reflexivo café. Por enquanto, nosso primeiro encontro deve então ter um pouco do meu sabor. Fico um pouco alheio a escrever em conversa, mas meu senso de quadradismo em relação à novidade é meio falho, então qualquer forma de boa expressão é válida. Deste então, passo a escorrer um pouco de boas palavras a leitores que busquem qualquer coisa, minhas palavras servem de alimento ao meu proprio vício, o das palavras.

Mais um pouco de verdade: Caro Leitor, o café neste post é representativo, há uma tentativa de associação às famosas mesas à beira da noite dos poetas romanticos do século 19, uma parte de mim quer explicitar uma pausa reflexiva, mas nada disso. Introduza-se, portanto, de imagens que lhe referenciem calma e paciência, afinal, café é tão bom para os livros e a circulação.

 

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