Desautoretrato

 

Não tomei conta de que ponto comecei a perceber

o quanto que a vida interfere na expressão da arte.

Talvez, tenha afinado meus relógios muito cedo

para organizar a vida, ao alheamento da realidade.

Tão frívolo, não sei se exponho o que dói no peito,

O que realmente fere. Não me acho tão caridoso,

Para preocupar-me com consternações alheias,

Nem tão pouco para apartar lágrimas sem rosto.

De súbito, deva ser esteticamente algum outro,

Que morde as veias da sensibilidade das palavras,

Que sobrevive ao desespero, que rasga bandeiras,

Que dá o relevo às angustias, e refresco às mágoas.

Pode ser que dentro destas borradas folhas,

Esteja algum eu que seja um homem comum,

Esculpido em farrapos, tímido e amedrontado,

Ou talvez tenha nascido para ser obra de arte.

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1 comentário

Arquivado em Poesia

Uma resposta para “Desautoretrato

  1. dayron

    muito bom ….

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