Em Tempos de Alvedrio

“A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é o maior elemento da estabilidade”  – Ruy Barbosa

Não há correntes, nem antros,

Nem ataduras de sangue entre barrancos,

Não escorrem lágrimas nos itararés,

Talvez alguns sumiços sem explicação,

Mas, nada que engasgue as marés.

 

Sou pássaro do mato, de costume cantor,

Que desfolha os estardalhaços desafinados.

Não me dão sustento, manduco então o tempo,

Sem sonhos, nem força para as bandeiras.

 

Sou melhor como um pássaro de gaiola,

De pezinhos abusados, e pipilo saudável.

Se me prendem eu voo mais alto.

 

Quero mesmo a fúria da ferida, ter nos suplícios

a indignação necessária para dar voz às palavras.

Talvez seja inocente a saudade, que não tenho,

do gosto de sangue na boca manchar

a terra enxuta onde se lavam as letras.

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