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Quando escrevo …

Quando escrevo tento pôr a língua em diversão. Escrevo como quem não conhece as palavras. Somos grandes desconhecidos. De inteira incompreensão. Sem pressa, as palavras então, despem-se para mim. Lançam-se tão futeis as minhas mãos que, por fim, não se distingui quem somos.

Tenho algumas palavras grandes, outras pequenas, algumas curtas, outras que de tão miúdas consegue-se ver minha essência. Porém, às vezes me pinto mais que um cisco, mais que um incômodo aos olhos. Apego-me infeliz as incongruências, aos sobejos e as impetuosidades. Mas não caminho diante às dissoluções, prefiro a sensibilidade. Amo o cheiro de poeira livro velho. Tenho nos gestos tão natural o gosto desenxabido pela palavra. Amo-as completamente, por pleno prazer de amar sem motivo. Tiro destas o meu sustento espiritual.

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maio 25, 2012 · 7:53 pm